Coisas que mulheres não conseguem fazer em paz por causa dos homens

A culpa é sua. A culpa é minha?

Quem manda fazer coisas como:

  • Andar na rua de saia (nem precisa ser saia curta, mas se for, já vira puta).  

  • Sair à noite. Como assim? Curtir uma balada ou sair sozinha? (perigoso hein)

  • Caminhar pelas ruas do bairro em uma tarde tranquila (até um cara cruzar com você na rua e, aproveitando que não tem ninguém perto,  dizer que está de pau duro). 

why-menina-cantada-assédio

Photo by rockcanyonroom – Why Menina

  • Usar decote em transporte público, na verdade, em qualquer lugar. (ora bolas, mulher tem que saber se vestir, se dar ao respeito. A burca deve ser uma boa opção). 

  • Usar roupas justas, na verdade, qualquer roupa. (Mas ir para a academia com roupa de ginástica? Aí é provocação. Esqueceram que as jaulas estão abertas?)

  • Passar na frente de uma obra. (Isso já está ultrapassado. Agora não dá para passar perto de nenhum grupo masculino. O negócio é atravessar a rua, mudar o caminho ou apertar o passo para evitar constrangimentos. Para eles é normal, diversão). 

  • Atravessar a rua na faixa de pedestres com os carros parados devido ao sinal vermelho. (Abaixe a cabeça e finja não ouvir obscenidades). 

As meninas sabem sobre isso: ande uns 5 quarteirões e colecione palavrinhas agradáveis, olhares e gemidos de homens que não conhece:

  • Delícia…

  • Linda. Que bundinha…

  • Chupava toda…gostosa..

  • Oi linda! Bom dia. (esse até parece educado, não fosse pela conotação sexual)

  • Que séria. Dá um sorriso… (vá ver se eu tô na esquina. Olha, vontade de xingar não falta. Mas vai que o cara vai atrás de você… melhor ignorar).

Agora, as perguntas que não posso calar: quem ensina isso para os meninos? Os pais? Será que gostariam de ver suas irmãs, filhas, mães, primas, amigas passando por isso? Até então, dizem: são só palavras, e olhar não mata.

Queria muito trocar de lugar com um homem por um dia. Talvez isso o fizesse entender o desrespeito, a sensação de ser observada o tempo todo, sabe-se lá com que intenções além das palavras. Talvez ele pudesse começar a entender essa história de viver com medo, de ter que conviver com a ideia de que o assédio é algo normal. Queria vê- lo mudando seu caminho para ter um pouco de paz. E queria vê-lo sentir a mesma indignação, insegurança e humilhação quando alguém pergunta a roupa da mulher que foi estuprada. Queria vê-lo na balada com roupas comportadas e ainda assim ser puxado pelo braço, sendo assediado, sem sossego para curtir a noite. Talvez assim, vivendo na pele as nossas angústias, possam tentar modificar suas ações e ensinar os meninos de hoje a se comportarem como homens de verdade no futuro.

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