Desenhando a Cultura do Estupro

Minha saia não é licença para abuso sexual

Minha saia não é licença para abuso sexual

 Sobre abuso sexual:

1- A culpa nunca é da vítima.

2- A culpa não é da saia curta ou do olhar que o cara acha que recebeu.

3- Não é Não.

Você sabe o que significa abuso sexual?

Abuso sexual é algo imposto por meio de força, não é um ato desejado por ambas as partes, é uma violência. O agressor sempre é o culpado, nunca a vítima. Geralmente os agressores dizem ter sido provocados e até mesmo usam a justificativa do tamanho da roupa da mulher, que é levada em consideração para o ato repugnante. Esse é o machismo nosso de cada dia.

O Ato de abusar

A vítima fica incapaz de negar consentimento, ou por ser mais fraca, ou por coação por arma, medo, extrema violência, coação emocional e moral. Muitas não denunciam por vergonha. Nossa sociedade também julga as pessoas agredidas. O abuso sexual pode ocorrer de qualquer lado. Muitas vezes acontece dentro da própria casa, cometido por parentes e amigos da família. Algumas vítimas podem até mesmo se tornar abusadores no futuro.

Tipos de abuso sexual

Existem diversos tipos de abuso, dentre eles: pedofilia, estupro, assédio sexual e exploração sexual, que ocorre muito no caso de tráfico de pessoas, especialmente de mulheres.

 

Como denunciar casos de abuso sexual

1-  Entenda que a culpa nunca é da vítima.

2- Vamos perder o medo de denunciar e romper com o silêncio.

Denúncias em casos de crianças e adolescentes, procure:

  • Conselhos Tutelares ou  Varas da Infância e da Juventude; Delegacias de Proteção à Criança e ao Adolescente;

  • ou DISQUE 100.

Denúncias em casos de abusos contra Mulheres:

  • Delegacias da Mulher;

  • DISQUE 100 OU 180.

Vamos romper o pacto de silêncio. Não é vergonha denunciar. Não alimente essa violência.

 

Nanda Soares para Why Menina

 

Quando uma agressão se torna cyberbullying?

Why Menina -garota que sofre bullying

Foto: FB Diário de uma garota que sofre bullying

Apesar de todas as formas de agressão serem desagradáveis e humilhantes para quem as sofre, nem todas podem ser consideradas cyberbullying. Talvez você já tenha visto ou participado de brincadeiras ou zoações que são feitas uma vez e que podem ser comuns entre colegas ou amigos e amigas. Situações esporádicas como, por exemplo, não ser convidado para um evento uma vez ou não ter sido escolhido para fazer parte de um grupo ou equipe não representam bullying nem cyberbullying .

NÃO é cyberbullying :

  • Quando alguém não é convidado para fazer parte de um grupo de amigos nas redes sociais, esporadicamente.

  • Quando alguém não é aceito como contato ou amigo.

  • Uma briga ocasional por chat entre duas ou mais pessoas.

  • Publicar uma foto em que alguém está com a cara engraçada.

  • Criticar o comentário de alguém nas redes sociais.

SIM, é cyberbullying:

  • Criar um grupo destinado a falar mal de alguém, convidar pessoas a se unir e divulgar o grupo para que fique ativo por várias semanas ou meses na Internet.

  • Inventar falsos rumores que ridicularizem uma pessoa da escola e fazê-los circular por mensagens de texto ou nas redes sociais por um período de tempo considerável.

  • Publicar fotos de alguém com o objetivo de denegrir sua imagem, sua família, sua origem étnica, orientação sexual ou religião.

  • Fazer essas fotos circularem entre todos os contatos. Repetir a ação várias vezes com o propósito de isolar ou “deixar de fora” alguém em um determinado grupo.


Conteúdo extraído da APOSTILA PARA ADOLESCENTES – PREVENÇÃO DO cyberbullying

Coordenação de conteúdo: Visão Mundial e Cartoon Network.

O site chegadebullying.com.br disponibiliza materiais para orientar a luta contra o bullying voltados para públicos diversos, incluindo pautas para pais e educadores.

Coisas que mulheres não conseguem fazer em paz por causa dos homens

A culpa é sua. A culpa é minha?

Quem manda fazer coisas como:

  • Andar na rua de saia (nem precisa ser saia curta, mas se for, já vira puta).  

  • Sair à noite. Como assim? Curtir uma balada ou sair sozinha? (perigoso hein)

  • Caminhar pelas ruas do bairro em uma tarde tranquila (até um cara cruzar com você na rua e, aproveitando que não tem ninguém perto,  dizer que está de pau duro). 

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Photo by rockcanyonroom – Why Menina

  • Usar decote em transporte público, na verdade, em qualquer lugar. (ora bolas, mulher tem que saber se vestir, se dar ao respeito. A burca deve ser uma boa opção). 

  • Usar roupas justas, na verdade, qualquer roupa. (Mas ir para a academia com roupa de ginástica? Aí é provocação. Esqueceram que as jaulas estão abertas?)

  • Passar na frente de uma obra. (Isso já está ultrapassado. Agora não dá para passar perto de nenhum grupo masculino. O negócio é atravessar a rua, mudar o caminho ou apertar o passo para evitar constrangimentos. Para eles é normal, diversão). 

  • Atravessar a rua na faixa de pedestres com os carros parados devido ao sinal vermelho. (Abaixe a cabeça e finja não ouvir obscenidades). 

As meninas sabem sobre isso: ande uns 5 quarteirões e colecione palavrinhas agradáveis, olhares e gemidos de homens que não conhece:

  • Delícia…

  • Linda. Que bundinha…

  • Chupava toda…gostosa..

  • Oi linda! Bom dia. (esse até parece educado, não fosse pela conotação sexual)

  • Que séria. Dá um sorriso… (vá ver se eu tô na esquina. Olha, vontade de xingar não falta. Mas vai que o cara vai atrás de você… melhor ignorar).

Agora, as perguntas que não posso calar: quem ensina isso para os meninos? Os pais? Será que gostariam de ver suas irmãs, filhas, mães, primas, amigas passando por isso? Até então, dizem: são só palavras, e olhar não mata.

Queria muito trocar de lugar com um homem por um dia. Talvez isso o fizesse entender o desrespeito, a sensação de ser observada o tempo todo, sabe-se lá com que intenções além das palavras. Talvez ele pudesse começar a entender essa história de viver com medo, de ter que conviver com a ideia de que o assédio é algo normal. Queria vê- lo mudando seu caminho para ter um pouco de paz. E queria vê-lo sentir a mesma indignação, insegurança e humilhação quando alguém pergunta a roupa da mulher que foi estuprada. Queria vê-lo na balada com roupas comportadas e ainda assim ser puxado pelo braço, sendo assediado, sem sossego para curtir a noite. Talvez assim, vivendo na pele as nossas angústias, possam tentar modificar suas ações e ensinar os meninos de hoje a se comportarem como homens de verdade no futuro.

Por que slut shaming é errado?

Slut shaming

photo credit: Pensiero via photopin cc

 

Slut shaming, ou vergonha de vadia, “é o ato de criticar a mulher por sua atividade sexual real ou presumida, ou por se comportar de maneiras que alguém pensa que estão associados com a sua atividade sexual real ou presumida.”

Esse tipo de ação está diretamente ligada à cultua do estupro e é uma das formas de cyberbullying, que veio potencializar as agressões caracterizadas no bullying, disseminando-as rapidamente pela internet. A maioria das mulheres já passou por isso e muitas até praticam, se apropriando e externalizando o machismo nosso de cada dia. Não apenas as roupas, mas também o comportamento sexual e sexualidade são podados expressivamente por toda a sociedade. Quantas vezes já não ouvimos estupros serem “justificados” pelo tipo de roupa da mulher. Sim, se os estupradores não estão em jaulas, que as mulheres optem pelas burcas para não serem chamadas de oferecidas, ou atacadas. Ainda assim, seja com as mulheres de burca ou com as de shortinho, no mundo inteiro este crime persiste.

Numa sociedade machista, onde o NÃO supostamente significa “sim” para os homens, as mulheres ficam expostas e viram objetos de controle. Nessa cultura em que as roupas ou escolhas sexuais são apontadas e causam vergonha, as mulheres ficam à mercê do julgamento alheio. Vamos dar um basta nisso. Precisamos lutar para mudar esse pensamento que nos deixa prisioneiras da insegurança. E lembrem-se: internet também é mundo real e afeta as vidas das pessoas de modo direto.

*Nanda Soares para Why Meninas