Ângulos da vida – A gente quer sempre mais

Why Menina

Ilustração de Cynthia Tedy

Pensando em muito do que vivi, confesso que tenho muita saudade de um passado inexistente. É tão mais fácil apalpar o que não temos do que aquilo que temos. E geralmente o que eu tenho não é suficiente para mim, assim como o que você tem não é suficiente para você.

Aí se pensa: eu não tenho isso, não tenho aquilo. Pronto. Não tenho nada.

Mas, pelo contrário. Tem-se um tudo, o muito, acompanhado do nada. Tem-se saúde, casa, amigos, família, comida, um monte de objetivos, sonhos mil e a própria companhia. Tem-se o essencial, talvez. Mas o problema está no “mas”. Mas isso, mas aquilo.

A extensão do que somos está no “mas”. Esta conjunção adversativa que não nos deixa parar de querer. E queremos tanto, muito. A gente quer sempre muito mais.

Nanda Soares para Why Menina

Conheça o movimento GIRL EFFECT

GIRL EFFECT

GIRL EFFECT OU EFEITO MENINA

O movimento GIRL EFFECT começou para ajudar a mudar o ciclo de pobreza e condição de vulnerabiliade social que é passada de geração em geração na linha de desenvolvimento das meninas adolescentes. Em 2009, foi lançado no Fórum Econômico Mundial de Davos, com o filme que mostra o relógio correndo na vida dessas meninas, desafiando as pessoas a pensar de forma diferente sobre o papel que elas desempenham no desenvolvimento. Defendido pela Fundação NIKE em colaboração com a Fundação NoVo, United Nations Foundation e múltiplos parceiros, o movimento se propôs a convencer o mundo a parar de ver as meninas como parte de um problema global da pobreza e passar a enxergá-las como co-criadoras de novas soluções.

MENINAS NO CENTRO DA AGENDA. Antes do lançamento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a Declaração do Efeito Menina ajudou a garantir o lugar das meninas na agenda de desenvolvimento pós-2015.

Em setembro de 2015, GIRL EFFECT tornou-se uma nova organização focada em impulsionar a mudança mensurável na vida das meninas, com apoio contínuo da Fundação Nike e outros parceiros.

MISSÃO: To change the world for girls, so that girls can change the world.

Mudar o mundo para as meninas, então as meninas poderão mudar o mundo!

Saiba mais: http://www.girleffect.org/

O medo de ser quem somos

artwork by ohgigue

Ilustração – Autoria de Ohgigue

Cada uma de nós segue de mãos dadas com seus medos e coragens. Mas, sempre chega um tempo em que questionamos nosso poder de seguir em frente. Isso acontece com a humanidade, com todas as pessoas que sonham e querem viver em harmonia com suas ideias.

O mundo vem e lhe dá pesos para carregar. Então, é nesse momento que precisa da sua força interior para dar passos firmes. Ser quem somos, com a força que temos, com a personalidade que temos. Nós nos devemos essa lealdade. Precisamos nos abraçar e não ter medo de ser quem somos. Lembre-se disso!

Por Nanda Soares – Para Why Menina

 

PESSOAS QUE NOS DIGNIFICAM

Outro dia, em uma dessas conversas interessantíssimas da mesa ao lado, dessas impossíveis de não serem ouvidas, escutei uma frase que me chamou a atenção: “precisamos conviver com pessoas que nos dignificam”. Fiquei pensando sobre a profundidade dessas palavras e como é verdadeiro o fato de precisarmos sempre de alguém para nos fazer lembrar o quanto somos capazes, querid@, dign@s. A mesa ao lado, a cadeira da frente do ônibus, o banco do ponto, a fila do cinema ou do supermercado são lugares ricos em debates que praticamente colam no seu ouvido; não por intromissão, mas por falta de espaço mesmo. A vida e os problemas alheios se misturam aos seus.

Precisamos de pessoas que dignificam

Lost in thoughts – By FidlerJan

Muitas vezes nem percebemos o que acontece ao nosso redor, já que ficamos entretidos com o nosso mundo da lua chamado celular. De vez em quando nos permitimos usar os sentidos e prestar atenção ao que nos rodeia. Voltando à frase, vamos ao motivo pelo qual toquei no assunto: quantas vezes vemos pessoas mantendo relações destrutivas, abusivas ou até mesmo sem sentido? Essas pessoas sabem que estão nessa situação? Elas sabem e fingem que não sabem? Elas se enxergam fora desse relacionamento? Pense: você ou alguém que você conhece vive ou já viveu um relacionamento abusivo?

Não se trata apenas de aborto, se trata da Vida. Mas VIDA DE QUEM?

El Salvador: no país que penaliza a mulher pelo aborto até em situação de estupro, mulheres pedem liberdade. Com penas que podem chegar a 40 anos de prisão, mães são consideradas culpadas mesmo quando não realizam o aborto, mas seus filhos nascem mortos (Pragmatismo Político)*

Gravidez, aborto e direitos da mulher

Mulheres de El Salvador: engravidar pode ser uma sentença de morte. Via Pragmatismo Político

Não se trata apenas do aborto, se trata da Vida. Mas VIDA DE QUEM?

Quando ouço sobre aborto fico sempre com aquela sensação de que estamos falando de algo proibido. E não é? Mas não estamos olhando muito superficialmente? Veja o lado nada bom sobre ser mulher nesse mundo.

Desde pequenas somos treinadas para sermos mães. Nos ensinam que ser mãe é a missão da mulher e que nenhuma mulher pode ser completa sem isso. Fomos feitas para isso. Então aprendemos a cuidar, a amamentar, trocar fraldas e ninar. O que tem de errado nisso? Nada. É importante trazer essa noção de carinho e cuidado, mas é algo que deveria fazer parte da vida dos meninos também. Talvez assim deixássemos de ser mães solteiras desde crianças, quando brincamos com nossas bonecas, filhas sem pais.

O mundo nos apresenta tantas regras que vamos nos moldando conforme o padrão. Feche as pernas, não brinque disso, não fale assim, prefira o rosa, seja delicada, tire a mesa. Em outros tempos ou até nesse mesmo: case-se, seja boa esposa, seja boa amante, boa dona de casa. Antes: não podia estudar, não podia votar, não podia escolher, não podia gritar. Aborto? Fogueira!

Situação 1

O corpo dilacerado, dor, machucados, estupro. Pode abortar no Brasil. Mas em qual hospital, após quanta humilhação? Enquanto isso, a culpa, o medo, o nojo, a vergonha, a raiva, o sistema, a sociedade. Haaa… como a sociedade pesa. A alma dilacerada. Trauma. Nunca mais a mesma. A vida de uma mulher, ou menina, marcada.

*Já em El Salvador: “Ela conta que ficou grávida em decorrência de um estupro e que nunca fez pré-natal. Sua ex-patroa a obrigou a permanecer dentro de casa para evitar que Mayra fizesse alguma denúncia, já que o estuprador era sobrinho de sua patroa. (…) teve complicações obstétricas e deu à luz um natimorto (…) Mayra, que na época tinha 18 anos de idade, lembra que acordou algemada na cama de um hospital e foi acusada pela médica que a recebeu no centro de saúde de ter matado seu filho.”

Situação 2

Ela queria um filho, mas o feto está condenado.

*”El Salvador, Honduras, Nicarágua e República Dominicana são os países na América Latina que mantêm uma norma estrita, que criminaliza as mulheres que sofrem qualquer tipo de aborto.”

Qualquer tipo de aborto inclui o espontâneo, no qual o próprio corpo reage naturalmente. Outros tipos de aborto incluem também as complicações obstetrícias e partos extra-hospitalares. Abortos comprados em clínicas clandestinas. Já pensou o desespero dessa mulher? Mas ela não tem decisão, pois o sistema toma a decisão.

A palavra de uma mulher fruto de um estupro

“Por ser fruto de um estupro, me sinto até mesmo no direito moral de ser a favor do aborto. (…) Eu acho que falta promover a igualdade, no sentido de que nós, mulheres, tenhamos autonomia sobre nossos próprios corpos e que possamos decidir por nós mesmas como ter um filho afetará nossas vidas e a da criança inocente. Sem interferência de religião, a mulher necessita ter esse direito e centros de apoio moral e psicológico. Vamos supor que homens pudessem engravidar, vocês acham que o aborto já não estaria legalizado?

Leis como essa são criadas, pois vivemos num mundo cheio de pessoas ignorantes e incapazes de pensar no dano que um estupro causa à história de uma pessoa.

Devemos promover discussões saudáveis e positivas sobre o assunto em um aspecto geral, derrubar dogmas e aumentar a consciência de um assunto que é importante na vida de muitas pessoas. Trabalhar com comunidades locais oferecendo suporte psicológico, oferecer uma plataforma neutra onde a mulher tenha espaço, sem ser julgada, e analisar realisticamente os prós e contras da gravidez. E que a mulher possa fazer sua própria decisão.” Cláudia Salgado, 28 anos.

Leia mais sobre a história de Cláudia em Pragmatismo Político.

 

CineMulher #2 – Por um novo conto de fadas

MALÉVOLA. Um dos filmes preferidos dos últimos tempos. Eu nunca entendi por que a bruxa ficou tão zangada por não ter sido convidada para o batizado da princezinha, a ponto de colocar um feitiço na criança. Primeiro, sabemos que eram chamadas bruxas as mulheres que demonstravam ter algum conhecimento, que sabiam os segredos das ervas, que discordavam, ousavam ou qualquer coisa fora do padrão. Essas eram as bruxas.

Malévola - Conto de fadas feminista

O filme Malévola despertou raiva em fanáticas religiosas e brilho nos olhos de quem luta pela igualdade e empoderamento feminino. As mulheres têm sido vistas como cobras perigosas que precisam ser dominadas há muito tempo. Malévola é a beleza, é pureza, defende a natureza e ama seu amigo. Sim, tudo começa quando ela é apenas uma criança. Ela tem poderes, está em harmonia com a natureza. O amiguinho é um menino pobre, que em determinado ponto usa da relação de confiança, no futuro, já crescidos, para violentar Malévola e roubar suas asas. Quer algo mais metafórico que isso? Ele diz que ama e depois rouba suas asas. Ele a deixa irada, fria, triste, desconsolada e se torna rei por isso. Eles não conhecem a sua perversidade.

Ela, por sua vez, não convidada para o batismo da filha do rei, vai até lá e lança um feitiço contra a menininha fofa. A história da roca todas nós conhecemos, mas o desfecho que se dá é lindo. O final é a recompensa do amor e a revelação da ganância por parte daquele que um dia a violentou para ganhar o trono. Não vou contar o que acontece. Acho melhor deixar vocês descobrirem! E divirtam-se com a falta de jeito das fadas madrinhas!

 PARA SEMPRE CINDERELA. Uma versão moderna do conto da famosa Gata Borralheira. Drew Barrymore é Cinderela, uma moça educada, inteligente, determinada e bem humorada. Após a morte do pai, como sabemos, ela passa por maus bocados nas mãos da madrasta e irmãs malvadinhas que adoram humilhar a pobrezinha, que na verdade foi roubada pelas interesseiras. Mas, a nova versão traz mais realismo para a história e Cinderela conhece o príncipe Henry acidentalmente. Ele, por sua vez, não quer assumir o trono e nem quer o casamento arranjado. O amor entre eles surge aos poucos, como um encantamento pela personalidade da moça, não apenas a beleza. Óhhh!  Ela não tem nada de frágil, apesar de sofrer com os abusos da família.

Ela defende os criados (minorias), se liberta de senhores (sua madrasta), se ajusta na cumulativa função da mulher moderna, que além de fazer tudo em casa ainda tem que estar linda para o baile.

Nessa configuração, o príncipe tem que ralar para conquistá-la. Já as irmãs, uma má e a outra nem tão má, e também discriminada (sofre bullying por ser mais cheinha), entram na competição pelo casamento com o príncipe. Ele não está nem aí. Nada de cantorias.
E, ninguém mais que Leonardo Da Vinci está na história para assumir o papel de fada madrinha. Olha que legal! Ele aconselha, inventa e pinta um quadro famoso que parece ser da Cinderela. Revelação né gente!
Cinderela briga por sua honra e ainda salva o príncipe de uma boa surra. Eles dialogam, coisa difícil de ver nos contos de fadas originais, afinal, as princesas estão sempre fugindo ou desmaiadas, dormindo, amaldiçoadas, credo!
Nesse filme, já mostram um pouquinho da presença de espírito da mulher que Cinderela representa. Ela tem que vencer os problemas, lutar contra o abuso e diferença de classes.  Meninas, assistam! É um filme gostoso de ver.
Por um cinema que empodera!

Nos novos filmes da Disney temos visto uma grande evolução. Dramas familiares mais reais estão sendo contados sob uma perspectiva encantada. Frozen e Valente mostram mulheres e meninas que se diferenciam do mundo da lua que as princesas viviam anteriormente; elas se libertam. Mostram o amor de uma forma diferente. O melhor é trazer as mulheres como irmãs, amigas, e não inimigas mortais. Chega dessa baboseira de que mulheres se traem. Colocam isso na cabeça das meninas e vem logo aquela frase: mulher né, já viu. Homens são leais e mulheres traíras? Então, você, mulher, é assim? Eu não concordo com isso.

Em Frozen, a irmã precisava se libertar para ser feliz. Ela era diferente e por isso se escondia. Apenas o amor entre as duas conseguiu equilibrar o reino. O par perfeito da história não era o príncipe bonitão que só queria se casar por interesse, mas sim um cara comum, honesto, verdadeiro, que se importava. Já em Valente, a mocinha que é fera no arco e flecha quer escolher seu par quando ela quiser. Falam de adolescência, da relação mãe e filha de um modo surpreendente.
Então, vale a dica desses filmes também! Além de divertidos, são lindos e cheios de emoção. O diferente faz parte desses filmes e isso é extremamente importante.
frozen
Valente

CineMulher #1 – Meninas contra o bullying e o machismo

escovadas antes de dormir100 Escovadas antes de dormir

Sinopse (adorocinema): Melissa (Maria Valverde) é uma inocente garota siciliana, que tem apenas 16 anos. Ela se sente distante dos pais, já que seu pai vive viajando e sua mãe está concentrada apenas em seu próprio mundo, sem notar as mudanças pelas quais sua filha está passando ao se tornar uma mulher. Na escola Melissa passa o dia sonhando com Daniele (Primo Reggiani), um colega de classe por quem nutre uma paixão adolescente mas que a ignora solenemente. Até que, um dia, Daniele decide convidar Melissa para sair. Encantada, ela aceita de imediato. Seduzida, Melissa é iniciada no sexo e passa a participar dos jogos sádicos de Daniele e de seu amigo Arnaldo (Elio Germano). Desnorteada e sentindo-se humilhada pelo ocorrido, ela passa a se educar sobre o sexo e ter ousados encontros com vários homens.

Why Menina:
A relação com os pais, principalmente com a avó, e a descoberta da sexualidade são foco desse filme. A sedução, ousadia, riscos e conflitos de sua caminhada de autoconhecimento revelam o lado bom e ruim de crescer. O filme mostra como o papel da família é importante na orientação dos filhos, as neuras e desafios do seu lugar no mundo, a escola como universo questionador. Melissa, 15 anos, ultrapassa limites da curiosidade e se perde em algumas situações perigosas que envolvem drogas, orgias e exposição. Esse filme é baseado em um livro em que a autora empresta não apenas o nome à personagem, mas também algumas experiências pessoais (diário), relatos de sua adolescência em um mundo cheio de tabus. É um retrato revelador da sexualidade deste século.

preciosa

Preciosa – Uma história de esperança

Sinopse (adorocinema):1987, Nova York, bairro do Harlem. Claireece “Preciosa” Jones (Gabourey Sidibe) é uma adolescente de 16 anos que sofre uma série de privações durante sua juventude. Violentada pelo pai (Rodney Jackson) e abusada pela mãe (Mo’Nique), ela cresce irritada e sem qualquer tipo de amor. O fato de ser pobre e gorda também não a ajuda nem um pouco. Além disto, Preciosa tem um filho apelidado de “Mongo”, por ser portador de síndrome de Down, que está sob os cuidados da avó. Quando engravida pela segunda vez, Preciosa é suspensa da escola. A sra. Lichtenstein (Nealla Gordon) consegue para ela uma escola alternativa, que possa ajudá-la a melhor lidar com sua vida. Lá Preciosa encontra um meio de fugir de sua existência traumática, se refugiando em sua imaginação.


Why Menina:
Um filme que conta a saga de Preciosa, que tem de enfrentar todo tipo de preconceito e violência. Uma menina que não teve oportunidades, mas tem muitas aspirações, sonhos que parecem distantes. Ela representa toda menina que não consegue se enquadrar e que passa por privações, falta de atenção, descaso, preconceito. Clarice (Preciosa) grávida do segundo filho,16 anos, sofre abuso do próprio pai, discriminação racial, sofre com a obesidade e falta de perspectivas. É preciso muita força interior e vontade de vencer para enfrentar os desafios e violações pelas quais passa. Uma menina com grande potencial que consegue, por meio de um olhar, um encaminhamento, educação, sair da condição terrível em que vive. Ela precisa reaprender a viver, a reconhecer o amor, a acreditar. Uma real história de esperança. “E como se sente? _ Aqui. Me sinto aqui”.

Não deixem de assistir.

foxfire- meninas- machismo- empoderamento feminino

Foxfire – Confissões de uma Gangue de Garotas

Sinopse (adorocinema): Nova York, anos 1950. Um grupo de garotas, cansadas dos abusos que sofrem diariamente na fábrica em que trabalham, resolvem criar uma gangue só de mulheres chamada Foxfire. Elas carregam uma tatuagem específica nos ombros para identificar quem pertence ao grupo. O bando irá usar de violência para se vingar das humilhações sofridas nas mãos dos homens.

Why Menina: Uma história intensa, que mostra a força e o enfrentamento contra a opressão, mas também os riscos e as fragilidades de ser mulher, menina. Amizade, descobertas sobre a vida e sobre si mesmas fazem parte desse filme.

 

Dica #WhyMenina

MENINA, NÃO SE PERCA, SE AME!

Tentando ser o que não somos nos perdemos de nós mesmas. Nada mais animador que aprender o melhor de si e mostrar aos outros como isso é bom! Vamos colecionando estereótipos e muitas vezes os reproduzimos em nossas vidas. Não há nada mais cansativo do que representar um projeto de nós mesmas e ainda perceber que nunca será suficiente para agradar a tod@s. Por isso, SEJA VOCÊ MESMA!

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#WhyMenina #empoderandogarotas #beyourself

Amor próprio faz cosquinha na alma

Amor Próprio

Ilustração de Nanda Soares para Why Menina

SE AMAR não é tão simples quanto parece. Desde cedo vamos capturando o que é ser bela, o que é ser feliz e construindo aquela casa imensa na qual muitas vezes não podemos entrar. E para o universo feminino, a estética vem de modo avassalador para criar as neuras que nos acompanham.

Parece que nunca estamos satisfeitas com o nosso corpo e acabamos nos espelhando nos modelos que vemos na TV, nas revistas,  filmes e nos contos de fadas da vida moderna. Passamos um bom tempo tentando nos adaptar, até entender que não precisamos ser cópias do que julgam mais ou menos bonito, afinal, cada olhar um julgar. Até chegar nesse ponto, uma eternidade chamada autoconhecimento.

Quando eu era mais nova era muito magra, muito magra mesmo. No Brasil, ser muito magra não é algo assim tão desejável não viu. As magrelas vão saber o significado de uma calça em cima da outra para disfarçar o esqueleto e não entrar na linha de fogo da zoação dos colegas. Do outro lado, as meninas com peitos e bundas desenvolvidas e também aquelas que queriam ser magras. Mas por que você quer ser assim? Eu querendo ganhar uns quilinhos e você fazendo dieta do abacaxi?

Como se não bastasse o corpo em crescimento, a pele reclama. As espinhas vêm infernizar nossa vida. Não entendo a necessidade dessa explosão que intimida, que irrita e muitas vezes faz com que a timidez se torne vergonha de si mesma. Vale dizer que a crueldade está realmente muito presente nessa fase. E claro, existem as pessoas que passam por essas mudanças numa boa. A minha fase foi terrível. Uma vez me perguntaram se eu estava com catapora. “Não querida”, são espinhas internas que ficam vermelhas, incham, doem e ainda tem gente como você que vem cutucar a autoestima alheia. Graças à minha mãe pude fazer um tratamento que salvou minha vida pública. Hoje as coisas parecem mais fáceis, pois entendem a acne como algo a ser tratado e que pode deixar marcas profundas não apenas na face, mas também na personalidade de alguém.

Passando por esses momentos, vamos amadurecendo nossas opiniões, as neuras vão mudando e vamos aflorando para a vida. Aprendemos a conhecer o nosso corpo e a encontrar alternativas. Você enxerga que tem qualidades almejadas e o negócio é destacar o que tem de melhor.

Mulher se martiriza tanto…é cansativo. A melhor paixão da vida é a que sentimos por nós mesmas, pois aí sim nos encontramos e enfrentamos qualquer desafio, seja a batalha da aparência ou a conquista do seu lugar no mundo, no mercado de trabalho, nas curvas de nossas escolhas.

Quando nos sentimos bem, e isso pode variar de acordo com os hormônios também (rsrs), ficamos mais seguras e embalamos pacotinhos de felicidade para distribuir por aí. Amor próprio faz cócegas (cosquinha mesmo), NA ALMA.

Quando nos sentimos amadas, tudo muda. Mas nada como amar a si mesma. Sem isso, nada adianta, nada fica bom, tudo desajeita. Eu sempre me senti vivendo cenas de cinema. Muito engraçado como algumas coisas acontecem em câmera lenta. Mas o mais importante: não dá para voltar no tempo. E quanto tempo perdemos tentando achar o que está dentro de nós?

Meninas, espero que encontrem seu amor próprio, lhe abracem e ofereçam um sorvete de alegria sem pensar nas calorias.

@Nanda Soares para Why Menina ❤