PESSOAS QUE NOS DIGNIFICAM

Outro dia, em uma dessas conversas interessantíssimas da mesa ao lado, dessas impossíveis de não serem ouvidas, escutei uma frase que me chamou a atenção: “precisamos conviver com pessoas que nos dignificam”. Fiquei pensando sobre a profundidade dessas palavras e como é verdadeiro o fato de precisarmos sempre de alguém para nos fazer lembrar o quanto somos capazes, querid@, dign@s. A mesa ao lado, a cadeira da frente do ônibus, o banco do ponto, a fila do cinema ou do supermercado são lugares ricos em debates que praticamente colam no seu ouvido; não por intromissão, mas por falta de espaço mesmo. A vida e os problemas alheios se misturam aos seus.

Precisamos de pessoas que dignificam

Lost in thoughts – By FidlerJan

Muitas vezes nem percebemos o que acontece ao nosso redor, já que ficamos entretidos com o nosso mundo da lua chamado celular. De vez em quando nos permitimos usar os sentidos e prestar atenção ao que nos rodeia. Voltando à frase, vamos ao motivo pelo qual toquei no assunto: quantas vezes vemos pessoas mantendo relações destrutivas, abusivas ou até mesmo sem sentido? Essas pessoas sabem que estão nessa situação? Elas sabem e fingem que não sabem? Elas se enxergam fora desse relacionamento? Pense: você ou alguém que você conhece vive ou já viveu um relacionamento abusivo?

Bullying, depressão e um balão prestes a estourar – Meninas de asas quebradas

Tudo em nós que parece não se encaixar aos padrões, é passível de bullying. Na escola, na academia, na família, na universidade, na rua, na internet. E agora? O bullying virtual está em todos os lugares e vemos cada vez mais histórias de meninas que, acuadas e pressionadas pelas ações de terceiros mal intencionados, entram em depressão, colapso nervoso, desenvolvem anorexia, bulimia e outros distúrbios que fazem mal a elas mesmas. Os outros: os outros continuam rindo, fingindo não ver, vivendo suas vidas.

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Bullying quebra asas – Ilustração de Nanda Soares para Why Menina

 

Com as redes sociais, vemos um campo aberto para disseminação de ofensas que podem afetar e até mesmo devastar a vida das pessoas. A autoestima e a segurança para seguir em frente é atropelada. Vemos por aí meninas de asas quebradas, presas em infernos astrais e pesadelos da vida real. É como se vivessem pisando em balões de gás, prestes a estourar. Lá embaixo, um abismo de exposição, olhares e julgamentos. Muitas vezes, o tombo é tão grande que leva à morte. Essa é uma metáfora para falar dos casos de meninas que sofrem tanta fadiga emocional que chegam ao suicídio.

A depressão altera o humor, o comportamento, o desejo, a saúde. A tristeza e medo persistentes mudam a pessoa que sofre com isso. E mudam suas relações no mundo. O caso de Amanda Todd, uma adolescente de 15 anos, é exemplo disso. As agressões teriam começado quando ela teve sua imagem exposta em um página no facebook criada para divulgar a jovem de topless. Como isso aconteceu? Aos 12 anos ela foi convencida a mostrar os seios pela internet e depois disso sua vida virou um pesadelo. A página se disseminou e os colegas da escola não deram trégua. Ela se mudou de casa e de várias escolas, mas o assédio foi além do que ela poderia suportar. Amanda se enforcou após a saga de sofrimento decorrente do cyberbullying. E isso não é um fato isolado. Por isso temos que refletir, informar, sensibilizar, prevenir e buscar formas de punir os agressores. A adolescente Rebecca Ann Sedwick, 12 anos, suicidou-se na Flórida, depois de passar mais de um ano sendo aterrorizada com  o bullying on-line dos colegas. Segundo a mãe da menina, sua filha recebia mensagens de texto como: “Você é feia”, “Por que você ainda está viva?” e “Se mate”.

Infelizmente, as testemunhas de bullying acabam se calando por medo de serem a próxima vítima. Mas esse comportamento precisa ser orientado para novas formas de empoderamento. As vítimas sofrem caladas e são sufocadas por ameaças, por calúnias em cima do acontecido, por palavras e atos hostis, além do isolamento. Quando isso acontece na escola, quais atitudes são tomadas pela direção e professores?

Reduzir a prevalência de bullying nas escolas pode ser uma medida de saúde pública altamente efetiva para o
século XXI. (Lopes Neto – Jornal de Pediatria – Sociedade Brasileira de Pediatria)

Bullying quebra asas, afoga o potencial de interação das pessoas, modifica sentimentos, agride, mata. A estudante Julia Gabriele, de 12 anos, foi vítima de cyberbullying no facebook, feito por contestáveis páginas de humor. Postaram suas fotos e fizeram brincadeiras desagradáveis sobre seus pelos faciais.A Revista Toda Teen contou o caso de Julia, seu desespero e a repercussão em sua família. Mãe e filha choraram e suplicaram para que parassem.

Me odeiam, mas eu nunca fiz nada para nenhum deles. (Julia)

Meninas, entendam: Bullying e cyberbullying são crimes. Denunciem!

@Nanda Soares para Why Menina