Minha saia não é licença para abuso sexual

Minha saia não é licença para abuso sexual

 Sobre abuso sexual:

1- A culpa nunca é da vítima.

2- A culpa não é da saia curta ou do olhar que o cara acha que recebeu.

3- Não é Não.

Você sabe o que significa abuso sexual?

Abuso sexual é algo imposto por meio de força, não é um ato desejado por ambas as partes, é uma violência. O agressor sempre é o culpado, nunca a vítima. Geralmente os agressores dizem ter sido provocados e até mesmo usam a justificativa do tamanho da roupa da mulher, que é levada em consideração para o ato repugnante. Esse é o machismo nosso de cada dia.

O Ato de abusar

A vítima fica incapaz de negar consentimento, ou por ser mais fraca, ou por coação por arma, medo, extrema violência, coação emocional e moral. Muitas não denunciam por vergonha. Nossa sociedade também julga as pessoas agredidas. O abuso sexual pode ocorrer de qualquer lado. Muitas vezes acontece dentro da própria casa, cometido por parentes e amigos da família. Algumas vítimas podem até mesmo se tornar abusadores no futuro.

Tipos de abuso sexual

Existem diversos tipos de abuso, dentre eles: pedofilia, estupro, assédio sexual e exploração sexual, que ocorre muito no caso de tráfico de pessoas, especialmente de mulheres.

 

Como denunciar casos de abuso sexual

1-  Entenda que a culpa nunca é da vítima.

2- Vamos perder o medo de denunciar e romper com o silêncio.

Denúncias em casos de crianças e adolescentes, procure:

  • Conselhos Tutelares ou  Varas da Infância e da Juventude; Delegacias de Proteção à Criança e ao Adolescente;

  • ou DISQUE 100.

Denúncias em casos de abusos contra Mulheres:

  • Delegacias da Mulher;

  • DISQUE 100 OU 180.

Vamos romper o pacto de silêncio. Não é vergonha denunciar. Não alimente essa violência.

 

Nanda Soares para Why Menina

 

CineMulher #1 – Meninas contra o bullying e o machismo

escovadas antes de dormir100 Escovadas antes de dormir

Sinopse (adorocinema): Melissa (Maria Valverde) é uma inocente garota siciliana, que tem apenas 16 anos. Ela se sente distante dos pais, já que seu pai vive viajando e sua mãe está concentrada apenas em seu próprio mundo, sem notar as mudanças pelas quais sua filha está passando ao se tornar uma mulher. Na escola Melissa passa o dia sonhando com Daniele (Primo Reggiani), um colega de classe por quem nutre uma paixão adolescente mas que a ignora solenemente. Até que, um dia, Daniele decide convidar Melissa para sair. Encantada, ela aceita de imediato. Seduzida, Melissa é iniciada no sexo e passa a participar dos jogos sádicos de Daniele e de seu amigo Arnaldo (Elio Germano). Desnorteada e sentindo-se humilhada pelo ocorrido, ela passa a se educar sobre o sexo e ter ousados encontros com vários homens.

Why Menina:
A relação com os pais, principalmente com a avó, e a descoberta da sexualidade são foco desse filme. A sedução, ousadia, riscos e conflitos de sua caminhada de autoconhecimento revelam o lado bom e ruim de crescer. O filme mostra como o papel da família é importante na orientação dos filhos, as neuras e desafios do seu lugar no mundo, a escola como universo questionador. Melissa, 15 anos, ultrapassa limites da curiosidade e se perde em algumas situações perigosas que envolvem drogas, orgias e exposição. Esse filme é baseado em um livro em que a autora empresta não apenas o nome à personagem, mas também algumas experiências pessoais (diário), relatos de sua adolescência em um mundo cheio de tabus. É um retrato revelador da sexualidade deste século.

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Preciosa – Uma história de esperança

Sinopse (adorocinema):1987, Nova York, bairro do Harlem. Claireece “Preciosa” Jones (Gabourey Sidibe) é uma adolescente de 16 anos que sofre uma série de privações durante sua juventude. Violentada pelo pai (Rodney Jackson) e abusada pela mãe (Mo’Nique), ela cresce irritada e sem qualquer tipo de amor. O fato de ser pobre e gorda também não a ajuda nem um pouco. Além disto, Preciosa tem um filho apelidado de “Mongo”, por ser portador de síndrome de Down, que está sob os cuidados da avó. Quando engravida pela segunda vez, Preciosa é suspensa da escola. A sra. Lichtenstein (Nealla Gordon) consegue para ela uma escola alternativa, que possa ajudá-la a melhor lidar com sua vida. Lá Preciosa encontra um meio de fugir de sua existência traumática, se refugiando em sua imaginação.


Why Menina:
Um filme que conta a saga de Preciosa, que tem de enfrentar todo tipo de preconceito e violência. Uma menina que não teve oportunidades, mas tem muitas aspirações, sonhos que parecem distantes. Ela representa toda menina que não consegue se enquadrar e que passa por privações, falta de atenção, descaso, preconceito. Clarice (Preciosa) grávida do segundo filho,16 anos, sofre abuso do próprio pai, discriminação racial, sofre com a obesidade e falta de perspectivas. É preciso muita força interior e vontade de vencer para enfrentar os desafios e violações pelas quais passa. Uma menina com grande potencial que consegue, por meio de um olhar, um encaminhamento, educação, sair da condição terrível em que vive. Ela precisa reaprender a viver, a reconhecer o amor, a acreditar. Uma real história de esperança. “E como se sente? _ Aqui. Me sinto aqui”.

Não deixem de assistir.

foxfire- meninas- machismo- empoderamento feminino

Foxfire – Confissões de uma Gangue de Garotas

Sinopse (adorocinema): Nova York, anos 1950. Um grupo de garotas, cansadas dos abusos que sofrem diariamente na fábrica em que trabalham, resolvem criar uma gangue só de mulheres chamada Foxfire. Elas carregam uma tatuagem específica nos ombros para identificar quem pertence ao grupo. O bando irá usar de violência para se vingar das humilhações sofridas nas mãos dos homens.

Why Menina: Uma história intensa, que mostra a força e o enfrentamento contra a opressão, mas também os riscos e as fragilidades de ser mulher, menina. Amizade, descobertas sobre a vida e sobre si mesmas fazem parte desse filme.

 

Dica #WhyMenina

Coisas que mulheres não conseguem fazer em paz por causa dos homens

A culpa é sua. A culpa é minha?

Quem manda fazer coisas como:

  • Andar na rua de saia (nem precisa ser saia curta, mas se for, já vira puta).  

  • Sair à noite. Como assim? Curtir uma balada ou sair sozinha? (perigoso hein)

  • Caminhar pelas ruas do bairro em uma tarde tranquila (até um cara cruzar com você na rua e, aproveitando que não tem ninguém perto,  dizer que está de pau duro). 

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Photo by rockcanyonroom – Why Menina

  • Usar decote em transporte público, na verdade, em qualquer lugar. (ora bolas, mulher tem que saber se vestir, se dar ao respeito. A burca deve ser uma boa opção). 

  • Usar roupas justas, na verdade, qualquer roupa. (Mas ir para a academia com roupa de ginástica? Aí é provocação. Esqueceram que as jaulas estão abertas?)

  • Passar na frente de uma obra. (Isso já está ultrapassado. Agora não dá para passar perto de nenhum grupo masculino. O negócio é atravessar a rua, mudar o caminho ou apertar o passo para evitar constrangimentos. Para eles é normal, diversão). 

  • Atravessar a rua na faixa de pedestres com os carros parados devido ao sinal vermelho. (Abaixe a cabeça e finja não ouvir obscenidades). 

As meninas sabem sobre isso: ande uns 5 quarteirões e colecione palavrinhas agradáveis, olhares e gemidos de homens que não conhece:

  • Delícia…

  • Linda. Que bundinha…

  • Chupava toda…gostosa..

  • Oi linda! Bom dia. (esse até parece educado, não fosse pela conotação sexual)

  • Que séria. Dá um sorriso… (vá ver se eu tô na esquina. Olha, vontade de xingar não falta. Mas vai que o cara vai atrás de você… melhor ignorar).

Agora, as perguntas que não posso calar: quem ensina isso para os meninos? Os pais? Será que gostariam de ver suas irmãs, filhas, mães, primas, amigas passando por isso? Até então, dizem: são só palavras, e olhar não mata.

Queria muito trocar de lugar com um homem por um dia. Talvez isso o fizesse entender o desrespeito, a sensação de ser observada o tempo todo, sabe-se lá com que intenções além das palavras. Talvez ele pudesse começar a entender essa história de viver com medo, de ter que conviver com a ideia de que o assédio é algo normal. Queria vê- lo mudando seu caminho para ter um pouco de paz. E queria vê-lo sentir a mesma indignação, insegurança e humilhação quando alguém pergunta a roupa da mulher que foi estuprada. Queria vê-lo na balada com roupas comportadas e ainda assim ser puxado pelo braço, sendo assediado, sem sossego para curtir a noite. Talvez assim, vivendo na pele as nossas angústias, possam tentar modificar suas ações e ensinar os meninos de hoje a se comportarem como homens de verdade no futuro.

TIRE SEU MACHISMO DO CAMINHO QUE EU QUERO PASSAR. BASTA DE CANTADAS!

facebook.com/WhyMenina

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Tire seu machismo do caminho que eu quero passar sem nenhum temor. O assédio aprisiona, amedronta e violenta.
#caminharempaznarua #assédio #maisrespeito #menosgrosseria#porhomensdeverdade #educaçãoétudo

Algumas cantadas por aí:

  • “Deixei de passar naquela rua”.
    (“Se eu seguir você até em casa, você vai cuidar de mim?”).
  • “Abaixava a cabeça e ia embora. Se responder, é pior. Me sentia péssima”.
  • “Queria ver acharem bom um cara estranho falando isso para a irmã deles”.
  • “Um homem veio falando umas besteiras para mim e quando viu meu namorado pediu desculpas para ele”.
    -(“Ei, vadia! Belos peitos!)
  • “Eles se dão ao direito porque todo mundo acha normal”.
  • “Já fiquei com medo, mas fazer o quê?”
  • “O cara assobiou e de repente todos olharam pra mim. Queria enfiar a cara no buraco. Você pode estar de calça jeans ou saia curta. Parece que eles têm que marcar ponto”.
  • (“Posso colocar meu pênis na sua bunda?”) – Você acha que isso é cantada?

Veja o comercial que a fabricante de itens esportivos para artes marciais Everlast desenvolveu, no Peru, com o objetivo de conscientizar as pessoas em relação às “cantadas de rua”, consideradas ofensivas e vulgares. Clique aqui.

Cantada de rua: o que os homens dizem para as mulheres nas ruas. Por Alanna Vagianos

Nanda Soares para Why Menina

Por que slut shaming é errado?

Slut shaming

photo credit: Pensiero via photopin cc

 

Slut shaming, ou vergonha de vadia, “é o ato de criticar a mulher por sua atividade sexual real ou presumida, ou por se comportar de maneiras que alguém pensa que estão associados com a sua atividade sexual real ou presumida.”

Esse tipo de ação está diretamente ligada à cultua do estupro e é uma das formas de cyberbullying, que veio potencializar as agressões caracterizadas no bullying, disseminando-as rapidamente pela internet. A maioria das mulheres já passou por isso e muitas até praticam, se apropriando e externalizando o machismo nosso de cada dia. Não apenas as roupas, mas também o comportamento sexual e sexualidade são podados expressivamente por toda a sociedade. Quantas vezes já não ouvimos estupros serem “justificados” pelo tipo de roupa da mulher. Sim, se os estupradores não estão em jaulas, que as mulheres optem pelas burcas para não serem chamadas de oferecidas, ou atacadas. Ainda assim, seja com as mulheres de burca ou com as de shortinho, no mundo inteiro este crime persiste.

Numa sociedade machista, onde o NÃO supostamente significa “sim” para os homens, as mulheres ficam expostas e viram objetos de controle. Nessa cultura em que as roupas ou escolhas sexuais são apontadas e causam vergonha, as mulheres ficam à mercê do julgamento alheio. Vamos dar um basta nisso. Precisamos lutar para mudar esse pensamento que nos deixa prisioneiras da insegurança. E lembrem-se: internet também é mundo real e afeta as vidas das pessoas de modo direto.

*Nanda Soares para Why Meninas